A caminhada do ser

 

E lá ia eu, sozinha, caminhando por uma erma estrada ladeada de arbustos... uma leve brisa no ar,o céu de um azul límpido, resplandecente... Nada comigo, nenhum pertence, nenhuma lembrança. Acabei de nascer, e sou livre, como aquela ave que voa de uma árvore a outra, lépida, inocente... Quem sou eu? O que faço aqui? ... Exatamente, não sei, nem para onde vou. Apenas vou, é agradável ir, é como se algum ente me guiasse, sabe-se lá para onde!...

Já estive um dia em um escritório, já cumpri ordens e recebi “holleriths”... já tive horário para tudo, já me adaptei, já acreditei um dia que teria um futuro certo... Hoje apenas SOU. Não sei para onde vou, e nem quero muito lá saber... Estou indo. 

No meu caminho encontro um anjo de lindos olhos cor de mar, que assim como eu caminha, meio sem rumo, em busca de um porto seguro, talvez....De mãos dadas, continuamos nossa andança, enlevados pela mágica ilusão do amor... Sinto a urgência de aproveitar cada momento como se fôsse o derradeiro, no delírio da paixão.

Um certo receio, oculto... de que este meu pássaro azul crie asas e saia voando pelos arco-íris do universo... Mas, para que pensar nisto, se posso sentir sua calorosa presença, e se isto é tudo o que me basta?...

 Dia após dia, por algum motivo continuo o meu caminho, sem destino... Acredito que em algum momento encontrarei alguma pousada, onde descansar. Mas tudo o que quero agora é simplesmente caminhar, nesta temperatura amena de outono, com estas roupas leves e os cabelos, compridos e soltos, balouçando ao vento... 

Tudo é transitório. Vivo o meu HOJE, que é tudo o que tenho. O AMANHÃ não sei, o PASSADO ficou para trás na estrada de minha vida.  

 

Vera de Azevedo Rodrigues

 

 

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